Porque é que me importo tanto com o que os outros pensam?
Ensaiou a frase antes de a dizer. Saiu de uma reunião a rever tudo o que disse. Mudou de opinião sobre uma roupa por causa de um olhar. E, no fim, fica a sensação de estar sempre a atuar para uma plateia que talvez nem esteja a reparar.
Importar-se com o que os outros pensam é humano — somos seres sociais, e a opinião dos outros sempre teve peso. O que pesa é quando esse peso passa a comandar: quando o receio do julgamento decide o que se diz, o que se veste, o que se recusa a fazer.
Não é vaidade. É segurança
Há uma leitura fácil — «preocupo-me demais com a imagem». Quase nunca é isso. Por baixo do medo do julgamento não está vaidade; está a necessidade de pertencer e o receio de ser rejeitado.
Em algum momento aprendeu-se que ser aceite dependia de corresponder — de agradar, de não incomodar, de estar à altura. A partir daí, o olhar dos outros deixou de ser informação e passou a ser veredito. E vive-se em alerta, a monitorizar constantemente como se está a ser visto.
O custo de viver para a plateia
Quando o que os outros pensam decide por si, a vida vai encolhendo. Deixa-se de dizer o que se pensa para não desagradar. Aceita-se o que não se quer para não criar problema. Evita-se o que expõe — falar em público, mostrar trabalho, arriscar. E a identidade vai-se moldando ao que se acha que é esperado, até já não se saber bem o que se quer, por baixo do que se deve.
O mais injusto é que raramente compra a aprovação que promete. Quem se apaga para agradar não é mais aceite — é menos visto.
O julgamento que mais pesa costuma ser o de dentro
Há uma coisa que costuma surpreender quem trabalha isto: o tribunal mais duro não está lá fora. Projetamos nos outros a crítica que já fazemos a nós próprios. Muitas vezes, o «eles vão achar que...» é, no fundo, o que nós próprios tememos ser. Trabalhar a relação com o próprio julgamento é o que mais alivia o medo do julgamento alheio.
Como a psicoterapia ajuda
O trabalho não é deixar de se importar com os outros — isso nem seria saudável. É devolver o olhar dos outros ao seu tamanho real: uma informação entre muitas, não a sentença sobre o seu valor. Perceber de onde vem essa necessidade de aprovação, distinguir a crítica útil da que só magoa, e recuperar o direito de escolher a partir do que se é, e não do que se receia que pensem.
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