Sentir-se uma fraude: a insegurança de quem já provou o seu valor

Tem o cargo, os resultados, o reconhecimento — e, mesmo assim, sente que um dia vão "descobrir" que não é assim tão capaz

É uma das experiências mais comuns em profissionais competentes e bem-sucedidos: a convicção persistente de que o mérito é sorte, timing ou engano dos outros — e o medo silencioso de ser desmascarado. Tem nome: costuma chamar-se "sentir-se uma fraude" ou síndrome do impostor.

Porque acontece justamente a quem é capaz

Não é falta de competência — é a forma como a pessoa interpreta o seu próprio percurso. Os êxitos são atribuídos a fatores externos ("tive sorte", "qualquer um fazia"), enquanto qualquer falha é vivida como prova do que se teme. Quanto mais se conquista, mais alta fica a fasquia, e a insegurança não desaparece — acompanha.

Como costuma manifestar-se

  • Desvalorizar conquistas e atribuí-las à sorte.

  • Dificuldade em aceitar elogios sem desconforto.

  • Trabalhar em excesso para "compensar" uma falta que não existe.

  • Medo constante de ser exposto como incompetente.

  • Evitar novos desafios por receio de não estar à altura.

O que está por baixo

Por trás deste padrão estão, quase sempre, uma autoestima frágil, a autoexigência e uma relação dura consigo próprio — muitas vezes aprendidas cedo. A insegurança não se resolve com mais resultados, porque o problema nunca foi o desempenho; foi a forma de se ver.

Como a psicoterapia ajuda

A psicoterapia ajuda a compreender a origem desta insegurança, a separar o valor pessoal do desempenho e a construir uma confiança que não dependa da próxima conquista. Não é "pensar positivo" — é mudar a relação que tem consigo.

Próximo
Próximo

A angústia não é um defeito. É um sinal