Aconselhamento parental em Lisboa
Exige tudo de si no trabalho. E ainda mais em casa.
Chegou tarde outra vez. Perdeu a paciência por causa de um copo entornado e viu a cara do seu filho mudar. Agora está deitado às onze da noite a fazer as contas de todas as vezes em que isto já aconteceu esta semana, e a perguntar-se que marca é que isto lhe está a deixar.
Se isto lhe soa familiar, há uma coisa que vale a pena dizer já: a culpa que sente não é proporcional ao que fez. É proporcional à exigência que traz consigo — a mesma que aplica a tudo o resto, agora virada para a coisa que mais lhe importa.
A primeira consulta não implica compromisso de continuidade.
Sessões presenciais ou online | Consultório em Lisboa
Quem se cobra muito, cobra-se ainda mais como pai ou mãe
Há um perfil que aparece com frequência: adultos competentes, habituados a fazer bem feito, que descobrem na parentalidade o primeiro domínio da vida onde o esforço não garante o resultado.
No trabalho, quem se prepara mais costuma correr melhor. Com um filho, não. Pode ter lido tudo, pensado tudo, feito tudo com cuidado — e ter uma criança que dorme mal, ou que morde na creche, ou um adolescente que fecha a porta e não fala. Não há proporcionalidade entre o que se investe e o que acontece.
Para quem organizou a vida à volta da ideia de que o esforço compensa, isto é profundamente desorientador. E a conclusão a que se chega, quase sempre, é a mesma: se não está a resultar, é porque não estou a fazer o suficiente. Aumenta-se a exigência. E o cansaço com ela.
O que costuma trazer os pais e as mães aqui
Perco a paciência mais vezes do que gostaria e depois fico mal com isso
Tenho medo de estar a repetir coisas que os meus pais fizeram comigo
Estou a fazer tudo ao contrário do que fizeram comigo e também não está a correr bem
Não sei se estou a exigir de mais ou a deixar passar de mais
O meu filho adolescente deixou de falar comigo e não sei como voltar atrás
Discordamos na forma de educar e isso está a criar tensão entre nós
Sinto que estou presente em corpo e ausente em cabeça
Três ideias que costumam mudar a forma de olhar
O suficientemente bom é o objectivo, não o prémio de consolação.
Quem acerta sempre não prepara ninguém para a vida. É nas falhas comuns — a paciência que se esgota, a atenção que se distrai, o não que se diz mal — que uma criança aprende que o mundo não se organiza à volta dela e que isso é suportável. A perfeição parental, se existisse, seria um problema de desenvolvimento.
O que conta não é não falhar. É reparar depois.
Isto é provavelmente o mais útil de tudo. A segurança de uma criança não se constrói na ausência de rupturas — constrói-se na experiência repetida de que, depois de uma ruptura, o adulto volta. Voltar a sentar-se ao lado, dizer que se perdeu a paciência, que não foi culpa dela, que se gosta na mesma. Não é humilhar-se: é ensinar que as relações aguentam conflito e sobrevivem a ele. Uma criança que nunca viu um adulto reparar não aprende a reparar.
Uma criança regula-se pela calma do adulto — e não se pode emprestar o que não se tem.
Uma criança em desregulação não se acalma por raciocínio: acalma-se por contágio, apoiando-se na estabilidade de quem está ao lado. É por isso que um adulto exausto, com a sua própria ansiedade em cima, não consegue regular um filho por mais técnicas que conheça. Não é falta de método. É que o recurso está esgotado.
Por isso o trabalho é consigo
Este acompanhamento é dirigido a quem cuida — pais e mães. O seu filho não vem à consulta.
Pode parecer contraintuitivo, mas é exactamente onde a intervenção é mais eficaz — sobretudo com crianças mais novas. Mudar a forma como o adulto reage muda o contexto inteiro em que a criança vive, sem que ela tenha de ser identificada como o problema.
Trabalhamos o que se activa em si nos momentos difíceis, e de onde vem — porque quase sempre vem de antes. Trabalhamos a exigência e a culpa, que costumam andar juntas. E trabalhamos a diferença entre quem quer ser e quem consegue ser nos dias em que já não tem nada para dar.
O que isto não é
Não é psicoterapia infantil. Não acompanho crianças em consulta individual — se for isso que procura, poderei orientá-lo para colegas que o façam.
Não é terapia familiar. As sessões não incluem toda a família em conjunto.
Não é um curso de técnicas de educação. Existem, são úteis, e não é isso que se faz aqui. Se as técnicas fossem suficientes, já teria resolvido com o que leu.
Se são dois
Pode vir sozinho ou com o outro progenitor. Quando ambos participam, o trabalho inclui frequentemente as divergências educativas entre os dois — que costumam ser menos sobre educação do que parecem.
Em situações de separação, o acompanhamento pode centrar-se na coparentalidade: como manter dois adultos alinhados no essencial quando a relação de casal já terminou.
A primeira consulta
Conta o que o trouxe cá. Não é preciso trazer nada preparado, nem saber formular bem o problema.
Serve para percebermos, em conjunto, o que está a acontecer e se faz sentido continuar. Não implica compromisso de continuidade.
A primeira consulta não implica compromisso de continuidade.
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