Quando o trabalho nos faz sentir pequenos
Há trabalhos que cansam o corpo. E há trabalhos que, aos poucos, encolhem a pessoa. Sai de uma reunião a sentir que não vale nada, revê no carro tudo o que disse, encaixa o comentário do chefe como se fosse um veredicto sobre quem é. Não é só stress. É a sensação de ficar mais pequeno cada vez que passa aquela porta.
Quando o cargo começa a definir o valor
O problema instala-se quando aquilo que se faz passa a medir aquilo que se é. Um projeto que corre mal deixa de ser um projeto que correu mal e passa a ser "eu não sou capaz". Uma chefia que desvaloriza deixa de ser uma chefia difícil e passa a confirmação de um medo antigo. O trabalho tem esse poder porque toca em algo anterior a ele.
Nem sempre é o trabalho, às vezes é o eco
Ambientes que diminuem existem, e são reais — não é tudo "cabeça sua". Mas a força com que aquilo entra depende também do que já lá estava. Quem cresceu a sentir que só valia se rendesse, ou que o afeto se ganhava a cumprir, chega ao trabalho com uma ferida pronta a ser tocada. E então cada crítica dói o dobro.
O que costuma acontecer por dentro
Levar para casa, horas depois, uma frase dita de passagem.
Sentir que tem de provar constantemente que merece estar ali.
Confundir um erro pontual com uma falha de carácter.
Ficar pequeno diante de certas pessoas, mesmo tendo competência para estar ali.
O que a terapia faz
Ajuda a separar duas coisas que andam coladas: o que é o trabalho e o que é a ferida onde ele bate. Quando essa distinção se faz, um ambiente difícil continua difícil — mas deixa de ter o poder de decidir quem você é. Trabalha-se o valor que não depende do último feedback.
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