Repare na forma como fala consigo próprio. Falaria assim com alguém de quem gosta?

Há quem seja generoso e compreensivo com toda a gente — exceto consigo. Por dentro, a voz é dura, impaciente, sempre pronta a apontar a falha. Chamamos-lhe "ser exigente", mas é muitas vezes o oposto do que precisamos para crescer.

O que a autoestima não é

Autoestima não é achar-se superior, nem repetir frases positivas ao espelho. É uma relação: a forma, mais ou menos justa, mais ou menos cruel, como nos tratamos a nós próprios no dia a dia — sobretudo quando falhamos.

Como se manifesta uma relação difícil consigo

  • Desvalorizar os próprios êxitos ("foi sorte", "qualquer um fazia").

  • Não conseguir receber elogios sem desconforto.

  • Exigir-se um nível que nunca aceitaria impor a outra pessoa.

  • Sentir que tem sempre de provar o seu valor.

Construir uma relação mais sã

Mudar isto não é "gostar-se de repente". É aprender a tratar-se com a mesma justiça com que trataria um amigo — reconhecer o esforço, aceitar o erro como parte de fazer, e separar aquilo que faz daquilo que é. A psicoterapia ajuda a compreender de onde vem essa dureza e a construir, devagar, uma relação diferente consigo.

Próximo
Próximo

Sentir-se uma fraude: a insegurança de quem já provou o seu valor