Perfeccionismo: quando fazer bem se torna um peso

Faz tudo bem. Mas nunca o suficiente para si.

Há uma forma de perfeccionismo que é socialmente premiada. A pessoa é competente, responsável, entrega trabalho de qualidade, raramente falha. Por fora, parece tudo bem — e em parte está. O problema é o que isto custa por dentro.

A diferença entre exigência saudável e perfeccionismo

Querer fazer bem é saudável e adaptativo. Dá sentido ao trabalho e satisfação ao concluir. O perfeccionismo é outra coisa: é quando o “suficientemente bom” deixa de existir, quando qualquer resultado fica aquém de uma fasquia que se move sempre mais para cima, e quando o erro — mesmo pequeno — é vivido como uma falha pessoal e não como parte normal de fazer.

A diferença não está no esforço, está na relação com o resultado. A pessoa com exigência saudável descansa quando entrega; a perfeccionista raramente o faz, porque há sempre algo que “podia estar melhor”.

Como costuma manifestar-se

•        Autocrítica constante, mesmo perante bons resultados.

•        Dificuldade em delegar, porque “ninguém faz como eu preciso”.

•        Adiar tarefas por receio de não as fazer suficientemente bem (sim, o perfeccionismo e a procrastinação andam de mãos dadas).

•        Cansaço emocional que se tornou pano de fundo, quase imperceptível de tão constante.

•        Dificuldade em receber elogios — desvalorizam-se (“foi sorte”, “qualquer um fazia”).

O que sustenta este padrão

Por trás de muita autoexigência está, frequentemente, a ideia de que o valor pessoal depende do desempenho — de que se é aceite, respeitado ou seguro na medida em que se entrega. É um padrão que muitas vezes se aprendeu cedo e que serviu, durante anos, para conquistar coisas reais. O problema é que, com o tempo, deixa de proteger e passa a desgastar.

Há outro caminho

Trabalhar o perfeccionismo não significa “deixar de ter padrões” nem passar a fazer mal as coisas — esse é um receio comum e infundado. Significa compreender o que sustenta a exigência, distinguir o rigor que ajuda do que aprisiona, e construir uma relação mais equilibrada entre dar o seu melhor e permitir-se descansar.

Se se reconhece nisto, talvez não precise de fazer mais nem melhor. Talvez precise de uma relação diferente com aquilo que já faz.

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