Infidelidade: o que costuma estar por baixo de uma traição

Uma traição raramente é só sobre sexo

Quando acontece uma infidelidade, a primeira leitura é quase sempre a mais simples: alguém quis algo que não devia e foi buscá-lo fora. Mas a maioria dos terapeutas que trabalham com casais sabe que, por baixo da superfície, costuma estar algo mais complexo. Uma leitura, descrita por Emily Brown, ajuda a compreendê-lo: um caso extraconjugal é, muitas vezes, uma forma inconsciente de comunicar algo que não se conseguiu dizer por palavras.

O sintoma e o problema

A infidelidade é frequentemente um sintoma de um problema que já existia na relação, e não a sua causa. Vazio, distância, conflitos por resolver, desejos não ditos — quando estas coisas não encontram forma de ser faladas, podem encontrar uma saída por outro lado. Isto não retira responsabilidade a quem foi infiel; ajuda apenas a perceber que tratar só o "sintoma" raramente resolve o que ficou por baixo.

Tipos diferentes, significados diferentes

Um dos pontos mais úteis é perceber que nem todas as infidelidades são iguais. Cada uma costuma comunicar algo distinto — por exemplo, evitar o conflito que o casal nunca aprendeu a ter, manter a intimidade a uma distância segura, ou abrir uma porta de saída de uma relação que já se desejava terminar. Perceber o que uma traição está a tentar dizer é, muitas vezes, mais revelador do que o ato em si.

A dor é real — e o caminho também

Nada disto diminui a dor de quem foi traído. A descoberta de uma infidelidade é uma das experiências mais avassaladoras numa relação, e a confusão, a raiva e a perda de confiança são respostas legítimas. O que esta abordagem oferece é esperança fundamentada: muitos casais, quando dispostos a olhar honestamente para o que aconteceu — e para o que já não estava bem antes —, conseguem ou reconstruir a relação sobre bases mais sólidas, ou terminá-la com mais dignidade e clareza.

Quando procurar ajuda

Atravessar isto sozinho é extraordinariamente difícil, precisamente porque as emoções estão em carne viva e a comunicação, muitas vezes, já estava fragilizada. Um espaço terapêutico — individual ou de casal — permite compreender o que aconteceu sem o peso da acusação constante, e decidir, com mais clareza, que caminho faz sentido a seguir.

Quer a relação continue ou termine, perceber o que esteve por baixo é o que evita repetir o mesmo padrão no futuro.

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